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Insolvência da Ovom Care em Cascais afeta 200 pacientes

Insolvência da Ovom Care em Cascais afeta 200 pacientes

Por: DossieInsolvência5/09/2026
A insolvência da clínica de fertilidade Ovom Care, em Cascais, deixou cerca de 200 pacientes sem resposta sobre os tratamentos em curso.

A britânica Rachel Drasey pagara 9.500 euros por um pacote de múltiplos ciclos de tratamento, com garantia de reembolso parcial em caso de insucesso. O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste decretou a insolvência a 25 de agosto. A sentença, proferida pelo Juiz 3, entregou a gestão e a liquidação da Ovomcareportugal Unipessoal a um administrador de insolvência e fixou 30 dias para reclamação de créditos. As pacientes só souberam três dias depois, numa sexta-feira à tarde, através de mensagens na aplicação da clínica.

Embriões em transferência

Há 220 gâmetas e embriões para transferir. O destino é a Ava Clinic, em Lisboa, segundo dados comunicados ao seu diretor, Vladimir Silva. Oito casos são considerados urgentes, de pacientes a meio de tratamentos. A transferência depende da documentação clínica a enviar pelo administrador de insolvência, e a Ava não vai suportar os custos já pagos à Ovom Care. Quem quiser continuar terá de pagar de novo, ainda que a preço reduzido. Uma paciente de 38 anos já tinha desembolsado três mil euros por um ciclo de fertilização in vitro e iniciara a medicação hormonal quando soube do encerramento. Para prosseguir na Ava foi-lhe pedido um novo pagamento de 3.500 euros, valor que diz não conseguir suportar.

Rachel Drasey via a implantação do seu único embrião viável adiada sucessivamente até setembro, quando a clínica fechou. Também a inglesa Leanne, de 39 anos, ficou sem saber o destino do embrião que aguardava transferência. Sofre de uma condição pré-cancerosa. Isso limitava o tempo disponível para tentar engravidar.

Financiamento em falta

A empresa angariara 4,8 milhões de euros em investimento de capital de risco, junto de fundos como Ananda Impact Ventures, Alpha Intelligence Capital e Merantix Capital. Em junho de 2025 a Ovom Care foi avaliada em 22 milhões de dólares pela revista Forbes. A clínica justificou o encerramento com a falta do financiamento previsto, alegando não reunir condições para operar com segurança. A empresa alemã Ovom Care GmbH, sediada em Berlim e detentora da unidade portuguesa, abriu também processo de insolvência.

A CEO Felicia von Reden, de 29 anos, afirmou ao Diário de Notícias estar devastada com a situação. Garantiu que já não tem poder de decisão sobre a empresa, atribuído ao administrador de insolvência. Disse desconhecer a obrigação legal de avisar as autoridades com seis meses de antecedência. Admitiu que ficará desempregada quando o processo alemão terminar.

A ex-gerente Cristina Hickman saiu da empresa em novembro de 2024, na sequência de divergências com os administradores ligados aos fundos de capital de risco. Responsabilizou-os publicamente pelo colapso da clínica. Revelou ainda que a Ovom Care terá feito uma colheita de óvulos a uma paciente nas vésperas do encerramento. Diz estar a estudar comprar e relançar a clínica, e já contactou o regulador e o administrador de insolvência.

O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida só soube da insolvência a 27 de agosto, dois dias depois da sentença. O presidente do organismo, Carlos Calhaz Jorge, classificou a situação como inédita em vinte anos de atividade em Portugal. A lei obriga a avisar o Ministério da Saúde com seis meses de antecedência. A Associação Portuguesa de Fertilidade exigiu garantias imediatas às autoridades. A sua presidente, Cláudia Vieira, alertou que o fator tempo pode ser determinante para o sucesso dos tratamentos.

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