A Ovom Care angariara 4,8 milhões de euros em capital de risco antes de fechar. A insolvência da clínica de fertilidade, em Cascais, deixou cerca de 200 pacientes sem resposta sobre tratamentos em curso. O tribunal decretou o encerramento a 25 de agosto. O destino do material biológico ficou a cargo da AVA Clinic, em Lisboa.
O CNPMA explicou, em comunicado, que a transferência resulta de um protocolo de contingência já existente entre as duas clínicas. Esse acordo é exigido pelo Sistema de Gestão de Qualidade para situações de emergência, como falhas de equipamento. A AVA Clinic aceitou alargar o protocolo. Passou também a receber os gâmetas e embriões criopreservados que estavam em Cascais.
Nos últimos dias, foram concluídos alguns tratamentos que se encontravam em fase irreversível. Evitou-se assim a perda dos passos já dados pelas pacientes. O regulador elogiou o espírito de compreensão da clínica de Lisboa. Destacou ainda o profissionalismo dos antigos funcionários da Ovom Care.
A Entidade Reguladora da Saúde confirmou à Lusa ter recebido duas reclamações contra a Ovom Care. Estão em análise.
Os utentes ficam livres. Podem pedir a transferência dos seus gâmetas ou embriões para qualquer outro centro de PMA, esclareceu o CNPMA. Nesse caso, caberá aos próprios assegurar o transporte, como sucede habitualmente entre clínicas. O regulador não se pronuncia sobre as implicações financeiras da insolvência.
Ficou mais claro quem gere a clínica portuguesa. É a norte-americana Lynae Brayboy, segundo os atos societários. Apresenta-se como obstetra, ginecologista e especialista em fertilidade. Foi ela quem avisou as pacientes, a 24 de agosto, da suspensão de novos ciclos. O credor que desencadeou o processo em Portugal é a própria Ovom Care GmbH, sediada em Berlim.
A ex-gerente Cristina Hickman identificou publicamente os administradores do conselho ligados aos fundos de capital de risco: Adrian Locher, Terry Chou, Arnaud Barthelemy e Zoe Peden. Representam a Merantix, a Alpha Intelligence Capital e a Ananda Impact Ventures. Segundo Hickman, o planeamento financeiro já previa há dois anos que o dinheiro só chegaria para esse período.
Zoe Peden, da Ananda, apagou comentários críticos no seu LinkedIn. Negou integrar formalmente o conselho de administração. Ainda assim, figura como representante da Ananda nesse órgão, segundo um site de investimento.
A CEO Felicia von Reden precisou que a maior parte do financiamento foi para o desenvolvimento tecnológico da empresa alemã. Não foi para a operação da clínica, afirmou. Disse desconhecer quantos trabalhadores tinha essa estrutura. Até 2 de setembro, o site da Ovom Care ainda indicava que os tratamentos estavam apenas suspensos. Prometia retomá-los em breve.