
O encerramento apanhou de surpresa dezenas de casais e mulheres com tratamentos em curso. Muitos já tinham suportado despesas avultadas. Viam nos ciclos agendados uma etapa decisiva do processo de maternidade.
As células reprodutivas armazenadas na OvomCare foram transferidas para outra clínica, em Lisboa. A nova instituição garante apenas seis meses de armazenamento gratuito. Depois desse prazo, os custos de conservação passam para as utentes. Ainda não está definido como prosseguirão os tratamentos interrompidos.
A transferência está a ser condicionada pela falta de documentação relativa aos embriões e gâmetas depositados. Essa lacuna dificulta a confirmação de titularidade. O atraso afeta os protocolos clínicos de várias pacientes.
Uma das utentes contactadas relatou ter realizado a recolha de óvulos no dia em que o estabelecimento fechou. Não recebeu qualquer explicação prévia. A ausência de comunicação por parte dos responsáveis da clínica gera apreensão entre as famílias afetadas.
Há também receio quanto à recuperação dos valores já pagos pelos tratamentos. As utentes procuram agora organizar-se. Avaliam eventuais diligências legais, enquanto aguardam esclarecimentos sobre o processo de insolvência. Falta ainda saber quem assumirá a custódia do material biológico.