
A Solara4, que desde 2021 se afirma como a maior central fotovoltaica em operação em Portugal, com 220 megawatts de potência instalada em Alcoutim, no Algarve, enfrenta um futuro incerto depois de a sua proprietária, a britânica Welink Energy Portugal 2 UK Limited, ter entrado em insolvência. A situação foi revelada esta segunda-feira pelo Expresso, com base num relatório da consultora BDO divulgado este mês no Reino Unido.
De acordo com o documento da BDO, a central tem produzido eletricidade consistentemente abaixo das previsões iniciais, um cenário agravado pela evolução do mercado ibérico de energia. O crescimento acelerado da capacidade solar instalada na Península Ibérica fez aumentar a oferta e pressionou em baixa os preços grossistas, que em determinados momentos chegam a valores nulos ou negativos. Esta conjugação de fatores reduziu de forma significativa as receitas geradas pelo projeto face ao inicialmente esperado.
A degradação financeira soma-se a um conjunto de problemas operacionais que têm afetado a Solara4 ao longo dos últimos anos, incluindo incêndios e falhas técnicas. A empresa apresentou as últimas contas públicas em 2023, ano em que faturou 47,2 milhões de euros e obteve um lucro de 2,9 milhões de euros - resultados que contrastam com a atual situação de insolvência.
A central está ainda envolvida num diferendo com a CTIEC, subsidiária da estatal chinesa China National Building Material Group Corporation, responsável pela construção do projeto. Segundo Hugo Paz, diretor da Welink para a Península Ibérica, o empreiteiro não cumpriu integralmente as obrigações contratuais assumidas. A CTIEC reclama, por seu lado, um montante que ascende a 143 milhões de euros, valor atualmente em disputa através de um processo de arbitragem.
Perante o quadro de dificuldades, a gestão da central foi retirada da irlandesa Welink Investments e entregue à Exus, especializada em energias renováveis, que irá trabalhar em conjunto com a consultora Enertis para avaliar os investimentos necessários ao aumento da produção. O objetivo do processo de insolvência passa, numa primeira fase, por recuperar o desempenho do ativo para, posteriormente, viabilizar a sua venda a novos investidores.
Entre os intervenientes no processo contam-se:
Em junho, a Welink já tinha chegado a acordo com o Investec e o Kommunalcredit Austria para obter liquidez adicional e avançar com a reestruturação financeira do projeto. A empresa pretende ainda hibridizar a central com componentes de energia eólica e armazenamento, embora a vertente eólica continue dependente de uma decisão da Agência Portuguesa do Ambiente.