O barómetro da Informa D&B traça um retrato ambíguo do tecido empresarial português nos primeiros oito meses de 2026. As insolvências voltaram a subir. A criação de novas empresas recuou. Os encerramentos, por seu lado, diminuíram face ao ano anterior.
O aumento das insolvências não foi uniforme. As atividades imobiliárias registaram a subida mais expressiva, com mais 32 processos face ao ano anterior, uma duplicação face a 2025.
O alojamento e a restauração somaram mais 20 insolvências, um crescimento de 15%.
Os serviços gerais tiveram mais 14 processos, um aumento de 18%, concentrado sobretudo na região da Grande Lisboa.
Nem todos os setores seguiram esta tendência. A agricultura e outros recursos naturais registaram uma redução de 40% nas insolvências, menos 17 processos.
Os serviços empresariais recuaram 12%. Foram menos 16 casos.
Do lado da criação de empresas, foram constituídas 36.124 novas sociedades entre janeiro e agosto, menos 1.116 do que no mesmo período de 2025. A quebra atingiu praticamente todos os setores.
A construção foi exceção, com 5.398 novas empresas, mais 13% do que há um ano. Tornou-se o segundo setor com mais constituições em termos absolutos.
As tecnologias de informação e comunicação também cresceram, com mais 135 novas empresas, um avanço de 5,3%. Em conjunto, os serviços empresariais e gerais, a construção e as atividades imobiliárias concentram quase dois terços de todas as constituições registadas desde o início do ano.
As maiores quebras verificaram-se na agricultura e outros recursos naturais, com menos 353 constituições, uma descida de 27%.
O alojamento e a restauração perderam 347 novas empresas, menos 10%.
Os transportes recuaram 12%. Foram menos 309 novas empresas.
A quebra geográfica também foi generalizada. Lisboa, Faro e Funchal registaram as maiores quedas na criação de empresas, enquanto apenas cinco distritos contrariaram a tendência:
Apesar do aumento das insolvências, o número global de empresas encerradas diminuiu. Até agosto, encerraram 7.802 empresas, menos 13,7% do que no mesmo período de 2025.
Considerando os 12 meses terminados em agosto, o total sobe para 14.483 encerramentos, uma redução homóloga de 7,8%.
Esta descida foi transversal à generalidade dos setores, com destaque para os serviços empresariais e o retalho. Os transportes foram a exceção, com um aumento de 1% nos encerramentos.