
A insolvência tinha caráter limitado. Não havia património para cobrir dívidas. O desfecho culminou um mês de agosto de incerteza para a redação e para a restante equipa das quatro publicações. A gerência já tinha avisado os trabalhadores, em carta datada de 11 de agosto, de que as operações societárias terminariam no último dia do mês. Os funcionários foram remetidos para o Subsídio de Desemprego e para o Fundo de Garantia Salarial.
Um dia depois do fim anunciado da Masemba, a exploração das quatro marcas passou para a Dotmedia, Lda. A nova empresa comunicou ao mercado, a 1 de setembro, que assumia os direitos editoriais e comerciais dos títulos. Garantiu ainda que as bancas não sentiriam qualquer interrupção.
Segundo o comunicado da Dotmedia, a próxima edição da Lux, a número 1376, chega às bancas a 10 de setembro. Segue-se a Lux Woman, a 25 de setembro. As edições de outono da Lux Deco e da Lux Moda e Beleza estão previstas para meados de outubro.
A Dotmedia, Lda. tem sede em Portalegre. O escritório operacional fica em Carnaxide, na Rua Alto do Montijo. A sociedade foi constituída a 16 de julho de 2024, com um capital social de mil euros. Carlos Manuel Sousa dos Santos é o sócio-gerente. Assumiu formalmente a administração da empresa em fevereiro. O empresário não tem histórico público de gestão em grupos de comunicação social.
A direção editorial de todo o portefólio ficou a cargo de Carla Barreira. A jornalista já liderava a Lux Deco e a Lux Moda e Beleza nos quadros da Masemba. A área comercial e a relação com anunciantes e agências de meios foram entregues a Maria João Jorge. A nova diretora comercial exerceu funções de direção de publicidade na Impresa Publishing, à frente de títulos como a Visão e a Visão História. Em comunicado, a Dotmedia descreve a nova equipa como “totalmente nova, mas experiente e motivada”. Não detalha, porém, o regime laboral que sustentará a produção das revistas.
Há ainda uma peça adicional neste puzzle societário. Apesar de os títulos estarem registados na Entidade Reguladora para a Comunicação Social em nome da Masemba, a exploração das revistas já tinha passado antes para a empresa Notas Icónicas, segundo apurou a publicação +M. A empresa é detida por Luís Mendes e Cláudia Martinho. De acordo com a +M, era já a Notas Icónicas quem, desde 2023, processava os ordenados dos jornalistas e da restante equipa das Lux, antes da chegada da Dotmedia.
A Masemba nasceu em maio de 2013. O grupo Prisa/Media Capital vendeu então a sua unidade de revistas a esta sociedade luso-angolana, resultante de uma parceria entre a produtora Até ao Fim do Mundo e a angolana Semba Comunicação. Esta última era controlada por José Paulino dos Santos, conhecido como Coréon Dú, e por Welwitschia dos Santos, filhos do antigo presidente angolano José Eduardo dos Santos.
O mandato presidencial terminou em 2017. As sucessivas crises da imprensa em papel agravaram-se depois disso. A empresa transferiu a sua sede para a Zona Industrial da Sertã, em Castelo Branco, onde acumulou dificuldades financeiras que desaguaram na insolvência decretada este verão. O desfecho aproxima-se do que aconteceu com a Trust in News, empresa fundada por Luís Delgado que adquiriu revistas da Impresa como a Visão, a Exame e a Caras. Também nesse caso o passivo deixou trabalhadores dependentes de fundos públicos, enquanto as marcas procuravam nova vida operacional.