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Credores aprovam liquidação da Boavista SAD em Gaia

Credores aprovam liquidação da Boavista SAD em Gaia

Por: DossieInsolvência4/09/2026
Os credores da Boavista SAD rejeitaram um novo plano de recuperação e aprovaram a liquidação da sociedade, com um passivo superior a 150 milhões de euros.

A votação aconteceu esta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia. Encerrou assim um processo que se arrastava desde maio, quando o tribunal já tinha decretado a liquidação. Na altura, o administrador de insolvência, Reinaldo Mâncio da Costa, decidira não submeter o plano a votação. Considerava provável a rejeição pelos credores.

A sociedade tinha sido despromovida ao segundo escalão da Associação de Futebol do Porto na temporada 2025/26. Tentou ainda travar a liquidação com uma nova proposta. O documento previa manter apenas a equipa de sub-19, na respetiva II Divisão nacional, reduzindo a atividade desportiva ao mínimo indispensável.

A sessão de votação tinha começado a 11 de agosto. Foi suspensa nesse mesmo dia e só retomada esta quinta-feira. Nessa data, a maioria dos credores votou contra o plano.

Dívida por cobrar

O presidente do Boavista clube reagiu à decisão. Rui Garrido Pereira, cuja entidade detém 10 por cento do capital social da SAD, disse à Lusa que a liquidação representa uma perda superior a nove milhões de euros de dívida que os credores nunca vão recuperar. Classificou o dia como triste, mas considerou que apenas confirmou um desfecho já previsível para o futebol profissional da instituição.

A Boavista SAD tinha visto a sua liquidação aprovada em setembro de 2025. Três meses depois, chegou a acordo com os credores para manter a atividade. Comprometeu-se a cobrir o défice corrente da exploração.

Esse compromisso quebrou-se em junho. A administradora judicial, Maria Clarisse Barros, decretou então o encerramento. A medida chegou a afetar quase 1.500 atletas, de 31 modalidades ligados ao clube.

Sem vaga na AF Porto

Com a liquidação confirmada, os axadrezados abdicaram da inscrição no segundo escalão distrital. A vaga vai ser ocupada pelo Varziela, terceiro classificado da terceira divisão distrital.

A SAD tinha fechado a época 2025/26 na 17.ª posição da II Liga, com 14 pontos, a 28 da zona de manutenção. Jogou como visitada no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, encerrado há mais de um ano. A sociedade acumulou ainda quatro impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.

Essas restrições já tinham condicionado épocas anteriores. Obrigaram a equipa a alinhar sobretudo com jogadores dos sub-19.

Em paralelo ao processo da SAD, o tribunal já tinha deferido o pedido de reabertura da atividade do Boavista clube. O movimento Salvar o Boavista ajudou a angariar os fundos necessários para inverter a decisão de encerramento, comunicada em julho pela mesma administradora judicial. O clube foi fundado em 1903. Detém nove títulos nacionais de futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting.

O Boavista foi autorizado a recomeçar a atividade. A condição é assegurar com regularidade as despesas correntes até ao final de 2026/27. O clube chegou a apresentar um plano de recuperação em tribunal e filiou-se na AF Porto para a nova temporada, sem ainda saber em que escalões poderá competir.