
A empresa comercializava vestuário e calçado das marcas Cristina, Love Cristina e Daily Cristina, associadas à apresentadora da TVI. Apesar da sentença, a plataforma continuava acessível a 1 de setembro. Havia produtos anunciados com descontos até 80%, segundo confirmaram várias publicações que consultaram o site.
A insolvência da Blissfulbreeze está diretamente ligada ao encerramento da Pontual, fabricante de calçado sedeada em Avintes, Vila Nova de Gaia, que suspendeu a produção a 31 de julho. Cerca de 60 trabalhadores ficaram sem emprego. As duas empresas tinham o mesmo gerente e sócio único, Nuno do Amaral Correia Ricardo Romão. Este adquirira a Pontual em 2023 à família de José Oliveira Moura Costa, com um investimento de 340 mil euros. A paragem da fábrica deixou a plataforma online sem produto para vender. Isso inviabilizou a continuidade do negócio.
Entre os credores da Blissfulbreeze constam o Santander, a Vodafone, a própria Pontual e a Amor Ponto, empresa detida por Cristina Ferreira. A lista reflete compromissos financeiros e de telecomunicações. Reflete também créditos resultantes da relação comercial entre as duas sociedades falidas.
A apresentadora não é proprietária da Blissfulbreeze. Também não responde pela sua gestão. Segundo a Notable, agência que a representa, existia um contrato de cedência de marca que permitia à sociedade produzir e vender calçado sob o nome Cristina. Esse acordo deixou de vigorar em 2025. A mesma fonte confirmou ainda que os produtos das marcas vão deixar de estar disponíveis em breve.
A própria Cristina Ferreira já se tinha pronunciado sobre o caso. "Eu tinha uma relação profissional com uma empresa para os meus sapatos. Era uma empresa do Norte com quem eu já não trabalho e não tenho ligação há mais de um ano", afirmou. A apresentadora garante que não tem responsabilidades na gestão da sociedade insolvente. Ainda assim, perdeu montantes que classificou de significativos. Correspondem a pagamentos antecipados por produtos que não chegou a receber.
O processo de insolvência deverá agora permitir apurar as responsabilidades da Blissfulbreeze. Vai também identificar formalmente os credores e decidir o destino dos ativos e contratos ligados à atividade de comércio eletrónico. Para os consumidores, a incerteza mantém-se. A loja continua operacional por enquanto, mas a liquidação anunciada aponta para o encerramento definitivo da atual estrutura de venda online das marcas de Cristina Ferreira.