
Quase uma década depois de ter sido declarado insolvente, João Gama Leão, empresário nascido em 1975 em Vila Verde, distrito de Braga, vê agora concluir-se um dos processos de insolvência pessoal mais emblemáticos associados à queda do universo Banco Espírito Santo (BES). O rateio final apresentado pelo administrador judicial revela que as receitas obtidas com a liquidação dos seus bens não ultrapassaram os 57.800 euros, uma percentagem ínfima face aos 392,7 milhões de euros que os credores tinham reclamado inicialmente - cerca de 0,014% do valor em dívida.
Gama Leão foi dono da Prebuild e das lojas Izibuild, anteriormente conhecidas como Mestre Maco, tendo construído um grupo empresarial com presença em Portugal, Angola, Colômbia e Argélia, financiado essencialmente por crédito concedido pelo BES. O colapso do banco arrastou consigo o conglomerado, levando à insolvência pessoal do empresário, decretada em 2017. Após a queda do grupo, Gama Leão viveu no Brasil, encontrando-se atualmente em Espanha.
O Novo Banco, principal credor do processo, viu os seus créditos judicialmente reconhecidos serem fixados em 5,3 milhões de euros, mas vai receber apenas cerca de 13 mil euros no rateio final. A Autoridade Tributária, com créditos reconhecidos de 12,5 milhões de euros, arrecadará pouco mais de 26 mil euros, surgindo como o maior beneficiário desta fase do processo. Já a Caixa Económica Montepio Geral, que reclamava mais de 3,3 milhões de euros, ficará apenas com sete mil euros.
O desfecho da insolvência pessoal de Gama Leão surge poucos meses depois de ter sido conhecido um resultado semelhante na falência da antiga Mestre Maco, mais tarde renomeada Izibuild: dos 80 milhões de euros reclamados pelos credores, a liquidação da empresa permitiu recuperar apenas 450 mil euros.
O caso Gama Leão junta-se a outros processos relacionados com antigos devedores do BES que continuam a marcar a atualidade do setor da insolvência em Portugal. O Novo Banco iniciou recentemente a operação para colocar à venda imóveis e participações empresariais de Luís Filipe Vieira, outro dos grandes devedores herdados do banco liderado por Ricardo Salgado. Estes processos ilustram as dificuldades de recuperação de crédito em insolvências de grande dimensão associadas ao antigo grupo BES, nas quais os montantes efetivamente cobrados continuam muito aquém dos valores originalmente reclamados pelos credores.