
A Ovomcare, clínica de fertilidade de Cascais, está insolvente desde agosto. A administradora Felicia Von Reden prometeu devolver 250 mil euros a pacientes que pagaram tratamentos não realizados. Ficaram cerca de duas centenas sem solução.
Na lista provisória de credores, os pacientes reclamam mais de 425 mil euros. Os créditos reclamados em Portugal, no seu conjunto, rondam os 1,67 milhões de euros. A promessa é de 250 mil euros. Fica, assim, aquém do que os pacientes pedem.
O material biológico, composto por gâmetas e embriões criopreservados, foi transferido para a clínica Ava, em Lisboa. Esta comprometeu-se a guardá-lo gratuitamente durante seis meses. Continuar os tratamentos custa mais. Nem todos os pacientes conseguem suportar esses encargos adicionais.
O advogado José Gaspar Schwalbach, que representa um grupo de pacientes, avalia a iniciativa de forma positiva. Considera, porém, o montante "manifestamente insuficiente" face aos prejuízos sofridos. Para o advogado, o reconhecimento dos créditos foi apenas um primeiro passo, e "é esta a análise que começa agora", referindo-se ao apuramento das circunstâncias que levaram à insolvência.
Schwalbach quer esclarecer a eventual responsabilidade de quem geria a clínica. Na sua leitura, são as mesmas pessoas que administravam a sociedade alemã com o mesmo nome.
Essa sociedade, a OvomCare GmbH, sediada em Berlim, viu a insolvência pedida a 20 de agosto. A empresa portuguesa seguiu-se no dia seguinte. Von Reden requereu ambas. Na empresa alemã trabalhavam nove pessoas, segundo o relatório do administrador de insolvência da clínica portuguesa.