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Sindicato pede financiamento público para matadouro do Cachão

Sindicato pede financiamento público para matadouro do Cachão

Por: DossieInsolvência11/09/2026
O SINTAB exige que o Governo financie o Matadouro Industrial do Cachão, em Mirandela, para evitar o seu encerramento. A unidade está insolvente desde abril e emprega 23 trabalhadores.

O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal criticou o Governo por não apresentar qualquer solução concreta para o matadouro do Cachão, em Mirandela, distrito de Bragança. A crítica surge depois de o executivo ter reunido em Conselho de Ministros na própria cidade de Bragança, na quarta-feira. Nenhuma medida foi anunciada para a unidade, que está em processo de insolvência desde abril.

O processo foi requerido por um dos credores, a Ares Lusitani. A dívida terá atingido cerca de um milhão de euros. Os municípios de Vila Flor e de Mirandela são os acionistas maioritários da sociedade. Entretanto, entregaram um plano de recuperação ao administrador da insolvência. A unidade emprega 23 pessoas, a maioria com idades entre os 63 e os 66 anos.

Resposta do executivo

O pedido de esclarecimento partiu do PCP, na Assembleia da República. O Governo reconheceu a importância territorial do matadouro. Admitiu também os efeitos que o seu encerramento poderia ter. Ressalvou, no entanto, que é necessário garantir o cumprimento da legislação aplicável, a sustentabilidade da exploração e o respeito pelas entidades administrativas, pelos municípios, pela entidade proprietária e pelos órgãos do processo de insolvência.

O delegado sindical Eduardo Andrade considerou insuficiente esta resposta. Segundo afirmou, é precisamente essa sustentabilidade que está em causa. O Governo deveria assegurá-la, defendeu. «Aquilo que nós achamos é que o Governo devia meter ali as mãos, o Ministério da Agricultura devia meter ali as mãos, porque estamos a falar de uma infraestrutura altamente importante para a região, para manutenção do equilíbrio social e económico da região», afirmou. Considerou ainda contraditório que o executivo reunisse em Bragança para sinalizar preocupação com o interior do país e, no mesmo dia, desse esta resposta ao pedido do PCP.

Argumentos do sindicato

Na perspetiva do SINTAB, caberia ao Governo injetar dinheiro público na unidade de abate do concelho de Mirandela. O objetivo seria modernizá-la e dar-lhe alguma solidez financeira. O sindicato defende ainda que a gestão da infraestrutura deveria ser acompanhada por alguém capaz de escrutinar a boa gestão do matadouro.

Eduardo Andrade sublinhou que não existe alternativa equivalente na região. «Não há nenhuma outra infraestrutura que dê a resposta que dá o matadouro do Cachão», afirmou. Caso a unidade encerre, os produtores ficarão numa situação difícil. A maioria terá de transportar os animais para abate em Penafiel, adiantou.

Os trabalhadores chegaram a anunciar uma greve. A decisão foi motivada por atrasos no pagamento de salários e subsídios de férias. Acabou, no entanto, por ser cancelada. No distrito de Bragança existem ainda unidades de abate em funcionamento na cidade de Bragança e em Vinhais. Há também duas novas unidades em construção, nos concelhos de Mogadouro e de Miranda do Douro.

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