
A direção vai agora negociar uma nova proposta, segundo o presidente Rui Garrido Pereira. O clube viu aprovada a sua liquidação em setembro de 2025. A dívida ultrapassava 150 milhões de euros. O tribunal autorizou depois a continuação da atividade, mediante o cumprimento de condições financeiras.
A assembleia de credores decorreu no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia. A administradora de insolvência Maria Clarisse Barros confirmou, no início dos trabalhos, que o clube está a cumprir as injunções fixadas no despacho de reabertura. Segundo Rui Garrido Pereira, o plano não obteve o apoio dos principais credores. Os hipotecários votaram contra.
Em comunicado, a direção afirmou que os titulares de créditos que representam uma fatia determinante da dívida votaram contra a solução apresentada. Classificou o resultado como «um revés muito sério». A direção agradeceu também aos credores que não votaram contra o plano, por considerarem possível a recuperação da instituição.
Rui Garrido Pereira adiantou que a direção vai continuar a negociar diretamente com esses credores. O objetivo é apresentar até ao final do mês um plano apto a ser aprovado. O tribunal fixou o dia 31 de outubro como prazo limite para assegurar a continuidade do clube.
As dificuldades financeiras prolongaram-se ao longo do último ano. Em dezembro de 2025, o clube obteve um acordo para manter a atividade, condicionado à cobertura do défice corrente de exploração. Em janeiro, o prazo de pagamento falhou. O clube depositou então 53.371,64 euros na massa insolvente.
Em julho, a falta de depósito destinado às despesas correntes de junho levou a administradora Maria Clarisse Barros a executar o encerramento da atividade. A medida abrangeu as instalações do Bessa e espaços adjacentes. Na véspera, a 14 de julho, a direção já tinha apresentado em tribunal um plano de insolvência com finalidade recuperatória.
A 1 de agosto, durante as comemorações do 123.º aniversário do clube, Rui Garrido Pereira anunciou estarem reunidas as condições financeiras para assegurar o funcionamento nos meses seguintes. O tribunal autorizou depois a retoma da atividade, condicionada ao pagamento mensal das despesas correntes até ao final da época 2026/27.
O plano agora chumbado envolve 31 modalidades. Cerca de 1.500 atletas estão abrangidos.
Em processo distinto, a Boavista SAD viu os credores rejeitarem, a 3 de setembro, um novo plano de recuperação. A liquidação foi aprovada em alternativa. A proposta recusada previa que a SAD competisse esta temporada apenas com a equipa de sub-19, na II Divisão nacional.
A SAD, que detém a atividade profissional de futebol, tinha sido despromovida à II Divisão da Associação de Futebol do Porto em 2025/26, depois de terminar a I Liga na 17.ª posição, a penúltima. Acabou por abdicar da inscrição nesse escalão. A vaga passou a ser ocupada pelo Varziela, terceiro classificado da terceira divisão distrital.
Fundado em 1903, o Boavista Futebol Clube soma troféus nacionais no futebol sénior masculino. Conquistou o seu único título de campeão em 2000/01, um dos apenas dois clubes que escaparam ao domínio de Benfica, FC Porto e Sporting. O outro foi o Belenenses, em 1945/46.