
A pergunta foi enviada este sábado aos ministros das Finanças, da Presidência e do Trabalho pelo deputado único do BE, Fabian Figueiredo. Surge porque o plano de insolvência da Trust in News, Unipessoal, Lda. prevê uma injeção de até 1,5 milhões de euros do proprietário, Luís Delgado, e o pagamento das dívidas ao Estado em 150 prestações mensais. O bloquista defende vender a Visão já, como um todo e a quem garanta a continuidade do título, solução que considera racional para os credores e para o interesse público.
A Visão continua nas bancas. A empresa proprietária cessou a atividade em outubro de 2025 e despediu cerca de 80 trabalhadores. Os jornalistas que mantêm a revista juntaram mais de 200 mil euros e constituíram uma sociedade para tentar comprá-la.
A venda ficou suspensa em março, quando o Supremo Tribunal de Justiça homologou o plano de insolvência. Recentemente, o tribunal recusou nova assembleia. O administrador da insolvência pediu mais 60 dias para pagar dívidas antes do encerramento do processo, que deixaria a publicação sem enquadramento, recorda o BE. Entretanto, uma sentença de 6 de junho de 2026 declarou os gerentes inibidos.
O partido pergunta ao Governo se considera exequível um plano pensado para uma empresa com 16 títulos e cerca de 80 trabalhadores. Quer saber quanto deve a Trust in News à Autoridade Tributária e Aduaneira e ao Instituto da Segurança Social, e em que avaliação da viabilidade ambos votaram a favor do plano. Pergunta também se o Estado recebeu algum pagamento desde a decisão do Supremo e que parte do aporte de 1,5 milhões de euros foi efetivamente entregue.
O deputado pretende ainda conhecer os contactos do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, com os jornalistas, o administrador da insolvência e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
A revista, publicada desde 1993, recebeu na sexta-feira o prémio de Património Editorial da Associação Portuguesa de Imprensa. As vendas em banca têm subido. Em março, o diretor apontava uma média de 10 mil exemplares por semana.
Na cerimónia, o diretor, Rui Tavares Guedes, falou de um processo de insolvência «labiríntico». Segundo explicou, o tribunal quer encerrá-lo e devolver a empresa ao proprietário para executar o plano, sem trabalhadores, títulos ativos nem receitas. O desfecho pode chegar em poucas semanas.
Rui Tavares Guedes apontou duas vias para o evitar: o proprietário declarar ao tribunal que não pode executar o plano, abrindo caminho ao leilão dos títulos, ou o Estado abandonar o distanciamento burocrático. Lembrou que a Autoridade Tributária e a Segurança Social, os dois maiores credores, sabem que o plano falharia de imediato.