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Monte Campo insolvente após quase 50 anos de mochilas escolares

Monte Campo insolvente após quase 50 anos de mochilas escolares

Por: DossieInsolvência24/09/2026
A Monte Campo, marca de mochilas fundada em 1978 em São João da Madeira, foi declarada insolvente no Juízo de Comércio de Oliveira de Azeméis.

A insolvência tornou-se pública em 2026. A empresa terminou a atividade com cerca de dez trabalhadores, depois de ter chegado a empregar cerca de 40 pessoas nos anos de maior produção. O Novo Banco, S.A. figura como credor no processo, que corre termos no Juízo de Comércio de Oliveira de Azeméis. Documentos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial confirmam apreensões registadas em nome da massa insolvente desde fevereiro de 2026. Ainda em abril de 2025, a Monte Campo tinha celebrado com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil um contrato de 18.225 euros, destinado ao fornecimento de 45 extintores dorsais para combate a incêndios rurais.

Da Guiné às escolas

Fundada por Eduardo Pinheiro após o seu regresso da Guiné, a marca nasceu ligada ao campismo. Os primeiros modelos foram desenhados pelo próprio fundador e confecionados pela mulher. O negócio manteve-se sempre familiar. Atravessou três gerações, com sede na Rua do Emigrante, em São João da Madeira. O modelo Gardunha tornou-se um fenómeno comercial nas décadas de 1980 e 1990, associado à memória escolar de gerações inteiras de portugueses.

Com o tempo, o catálogo alargou-se a tendas, sacos-cama, carteiras, bolsas e peças de vestuário. A empresa fornecia também entidades públicas. Entre os clientes constavam o Estado-Maior do Exército, a Força Aérea, a GNR e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Dados de contratação pública apontam para fornecimentos acima de 211 mil euros ao longo dos anos.

Regresso falhado ao mercado

Em 2018, a marca tentou recuperar protagonismo junto do público em geral. Relançou a Gardunha numa versão contemporânea, com tecidos impermeáveis, fechos vulcanizados e compartimento para computador portátil. No ano seguinte, surgiu uma edição limitada, com quatro padrões e apenas 50 unidades cada. A empresa alargou também a oferta a T-shirts, sweats e novos modelos de mochilas e bolsas. A estratégia procurava transformar o valor histórico da marca num negócio atual, associado a um posicionamento de lifestyle sem abandonar o segmento de montanha.

Contas disponíveis relativas a 2024 mostram uma quebra das vendas face ao ano anterior. Os resultados também pioraram nesse período. Os registos empresariais assinalam incidentes relacionados com a insolvência em dezembro de 2025. Não é possível estabelecer, a partir da informação disponível, uma relação direta entre a quebra de vendas de 2024 e a insolvência posterior. O destino final da marca e dos respetivos direitos de propriedade industrial permanece por definir. Podem ser vendidos, integrados numa liquidação ou eventualmente adquiridos por outra empresa. Continuam a existir produtos e referências da Monte Campo à venda em plataformas online e no mercado secundário, sem que tal indique retoma de produção.